Cresce 56% o roubo a condomínios no estado

ARIADNE GATTOLINI

Disfarçados de moradores, funcionários de serviços básicos ou mesmo de jovens distraídos ao celular, bandidos passam pelas portarias tirando o sossego de quem investiu em morar em condomínios de casas ou apartamentos justamente pela segurança prometida. “Porteiros ótimos sem tecnologia farão um trabalho limitado. Por outro lado, ter as soluções tecnológicas, mas não investir em treinar o pessoal para operar os equipamentos se torna impossível ter controle seguro de acesso”, afirma Francine Cavalieri, diretora da Fascon, empresa responsável por atender 120 condomínios residenciais e comerciais na região de Jundiaí.

Há 13 anos oferecendo soluções de controle de acesso, Francine lamenta que boa parte dos complexos esteja defasado quanto à segurança. “Cerca de 20% dos condomínios tem soluções mais completas, 60% têm apenas o básico e os 20% restantes não investem em segurança, muitas vezes porque não tem um caixa constituído no condomínio. O sistema de câmeras de muitos, inclusive, foi instalado na construção do prédio e nunca mais foi atualizado”, alerta.

Para a especialista, o caminho para barrar os bandidos, cada vez mais ousados, é o investimento em dupla  verificação. Por exemplo, na entrada de veículos, ter o cartão de acesso do morador, ou mesmo tag, e também confirmação de placas. “Atualmente, as próprias câmeras fazem essa validação de leitura da placa para saber se realmente aquele carro é do morador”, explica. “No acesso de pedestre, biometria e catraca dupla, além de sistema interno de TV, são algumas soluções necessárias”, indica.

Francine destaca também o papel do morador na segurança de seu próprio bem. “Alguns condôminos reclamam das validações e até burlam o regimento, como se excesso de zelo fosse ruim. Acabam por cobrar soluções somente quando ocorre alguma invasão em condomínios vizinhos. Conscientização e prevenção são essenciais. Meu conselho é que os próprios moradores hajam como fiscais, percebendo quando alguma cancela, câmera, cerca ou leitor de biometria não funciona. A manutenção deve ser sempre rápida e eficiente”, conclui.

AVALIAÇÃO CONSTANTE

Isaac Flávio Batista é síndico desde 2012 e atualmente administra um dos maiores condomínios de Jundiaí, são 840 famílias e 3.100 moradores no local. Para ele, um procedimento padrão que deixa de ser seguido pode comprometer a segurança. “Um condomínio que não tem infraestrutura, sistema de controle de acesso (biometria, catraca, e outros dispositivos) e uma equipe devidamente capacitada, em horário de maior fluxo de pessoas, um morador pode entrar e ver outro vindo em direção ao portão e nesse momento, por ingenuidade e até gentileza, deixá-lo passar, sem fazer a identificação na portaria. Nesse segundo, alguém com más intenções pode entrar”, exemplifica Isaac.

O síndico profissional acredita que a maior falha é pensar que tudo está seguro. “Quando baixamos a guarda, ficamos mais vulneráveis a roubos. Mapear os riscos à segurança patrimonial, capacitar a equipe para seguir os procedimentos e fazer regularmente auditoria nos processos de acesso é fundamental para identificar pontos de melhorias e eventuais falhas que podem ser brechas aos bandidos”, finaliza.

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *